Referência
Artigo: “A saúde do Adolescente: o que se sabe e quais são os novos desafios”
Autores
Margarida Gaspar de Matos (*)
Objectivo Principal
Faz uma análise daquilo que se sabe sobre uma das fases do desenvolvimento Humano, a adolescência. As mudanças que ocorrem nesta fase, as ligações que se estabelece com os grupos que os rodeia (família e amigos). Aborda também aquilo que se tenta entender com o aparecimento das novas tecnologias e a entrada no Mundo Virtual das crianças e adolescentes.
Breve Resumo
O que já se sabe:
A entrada na adolescência não é fácil e leva a modificações nos relacionamentos, quer com ele mesmo (relacionamento com o seu corpo em desenvolvimento), quer com tudo o que o rodeia. Estas modificações psicológicas e físicas, levam muitas vezes a experiências interpessoais de conhecimento que comportam comportamentos de risco e protecção no âmbito da saúde.
Os grupos que rodeiam a criança e o adolescente (família e amigos) são a sua verdadeira influência, a nível de atitudes e de formação de uma identidade própria e social. O que cada criança observa e vive no seu dia-a-dia, como os comportamentos dos outros que observa e dos seus sucessos e insucessos, as rejeições e os sucessos de cada criança, os relacionamentos que estabelece com os outros e o comportamento social dos pais pode ser importante na rede social de apoio na escola, na boa aceitação que pode ter ou não por parte dos colegas.
É na família que a criança desenvolve atitudes e cria defesas próprias para lidar com as situações impostas no seu dia-a-dia e, é nela que procura alguma segurança para enfrentar os seus problemas de crescimento. Pode-se dizer que é na família que a criança busca referências para lidar com o mundo que a rodeia. Uma família de baixos rendimentos, desestruturada, pode fazer com que a criança e o adolescente fique mais exposto a níveis mais intensos de violência. Um estilo parental punitivo, menos responsivo e participativo levam a uma elevada rejeição parental e às consequências que daí pode advir. Um estilo democrata de controlo parental faz com que o jovem se relacione com aquilo que o rodeia de uma forma mais responsável, com mais participação social, autonomia e independência. A supervisão dos pais torna-se uma forma de protecção dos jovens fora de casa e no convívio nos grupos em que se insere. A oscilação no modo de educação dos Pais, entre a passividade, agressividade e a possível ameaça, favorece a manipulação na criança, o jogo da oportunidade e a mentira, fazendo com que a criança e o adolescente possa não desenvolver uma moralidade autónoma.
Tanto a família como os amigos, dão à criança formas de agir, tanto positivas como negativas, é a esses grupos que a criança e o adolescente vão buscar as suas referências. A forma como os pais vivem e se relacionam torna-se os primeiros ensinamentos sociais de uma criança, sendo também o modo como exercem o poder parental, uma forma de ajuda na criação da individualidade da criança e do adolescente. No entanto a família e os amigos têm funções diferentes no desenvolvimento pessoal e social de cada criança, não sendo inter-substituíveis.
O que se tenta entender:
O grupo de pares (grupo de amigos) é uma forma de crescimento individual de cada adolescente e geralmente cada grupo tem uma identidade própria, cujos elementos que o identifica pode ser de aparência, tipos de leitura, tipos de música, filmes, desportos, aspectos culturais, etc. Para alguns autores de estudos sobre a adolescência, é muito importante a “marca” de grupo, é através dessa “marca” que se pode prever e observar alguns tipos de comportamento. A música, por exemplo, o estilo que alguns grupos escolhem na música, o grau de empenhamento do grupo no tipo de música, leva muitas vezes os jovens a adoptar estilos de roupa, de aparência e de acções associados às bandas, às letras dessa música e ainda à forma de vida perpetuada pelos intérpretes da mesma. A evolução etária e escolar dos adolescentes vai estabelecendo gostos e fixando tendências a nível musical, muitas vezes também associadas ao modo como é sentida interiormente ou ao tipo influência do grupo de pares, sendo também as novas Tecnologias e os Mega espectáculos, uma fonte de influências e informação do que é novo e de tudo aquilo que é actual.
O Universo Virtual em que actualmente os jovens navegam e vivem tem vários tipos de avaliação, alguns positivos e outros negativos. Existe na verdade uma evolução cognitiva e psico-social através da interacção tecnologia, no entanto o excesso de tempo no mundo virtual acaba por limitar a convivência familiar e social, limitando também as actividades físicas. O universo virtual pode criar, em alguns casos, a ignorância de problemas reais e na confusão entre o que é virtual e o mundo real, muitas vezes criando amigos virtuais submissos ou até criar o amigo perfeito, ficando muitas vezes sujeitos a esses tipos de amizade e de ligações sociais totalmente virtuais, que com o tempo podem gerar alguns sentimentos negativos.
Actualmente e, derivado à evolução das novas tecnologias, surgiram novos problemas para os quais os Pais e educadores se sentem despreparados e desactualizados, sentindo-se muitas vezes incapacitados de diminuir a barreira que surgiu com as novas tecnologias. É preciso encontrar formas de aproximação, de compreensão, de partilha de conhecimentos e de sentimentos, da aproximação pai/filho e educador/aluno, oferecendo-lhes a noção de um mundo mais real do que virtual. O desafio, portanto, nos tempos actuais para os Pais e Educadores está em encontrar maneiras de chegar até aos filhos e alunos aproximando-os cada vez mais da realidade e da participação social.
Citações
“O desafio para pais e professores é então a capacidade de “ficar por dentro” e identificar até que ponto as competências “antigas” podem servir para estar ao lado dos filhos/alunos, e podem ser factor de reconhecimento pessoal e social, neste emergente mundo “virtual”.” Matos, M. G.(2008, pag.260)
Comentário pessoal
Quando li este artigo tive a noção que se sabe que a fase da adolescência é uma mudança na vida do ser humano, é uma alteração física e psicológica que vai estabelecer algumas tendências e formas de relacionamento para o resto da vida, pelo menos com “marcas” profundas eu não, mas “marcas”. O que na verdade sabemos é que a família e os amigos são importantes na formação pessoal e social nesta fase da transição, de criança para adolescente e, sabemos que muitas das aprendizagens não são de palavras, mas de comportamentos observados. Os amigos, o mundo virtual e todas as novas tecnologias podem influenciar um adolescente, tanto pela positiva como pela negativa, mas há que arranjar maneiras de aproximação, de contacto e de partilha, entre pais/filhos e educadores/ alunos, de modo a que exista uma noção verdadeira da vida, uma integração e uma participação mais ajustada e real, com vista na construção de um futuro mais feliz.

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